
O Carnaval 2026, realizado em Codó, ficou marcado por um episódio que escancara violência, intolerância e a conivência silenciosa de setores da comunicação alinhados ao poder . O diretor da UPA de Codó, Pedro Neres, protagonizou cenas consideradas graves ao lado de seu pai, o ex-prefeito cassado Dr. Zé Francisco.
Relatos de testemunhas e vídeos apontam que pai e filho se envolveram em uma briga generalizada em meio aos foliões, com agressões a populares e tentativas de agressão contra autoridades políticas, entre elas o vereador Hermínio da Farmácia e o deputado estadual Francisco Nagib. Ainda segundo as informações, Pedro Neres apresentava sinais claros de embriaguez no momento da confusão.
O caso ganhou contornos ainda mais graves após a divulgação de um áudio(ouça abaixo)de cerca de três minutos em grupos de WhatsApp, no qual Pedro Neres desfere ataques agressivos contra a família do atual prefeito Chiquinho FC. No conteúdo, o diretor da UPA ultrapassa qualquer limite aceitável ao utilizar termos de cunho homofóbico para atacar o parlamentar e o prefeito, prática que configura discurso de ódio e afronta direta à dignidade da população LGBTQIA+.
Não se trata de um episódio isolado ou de “excesso verbal”. Em um país que lidera estatísticas de violência contra pessoas LGBTQIA+, falas como essas reforçam preconceitos, legitimam agressões e colocam vidas em risco — ainda mais quando partem de alguém que ocupa um cargo de direção na área da saúde pública, setor que deveria primar pelo acolhimento, respeito e humanização.
Diante da gravidade dos fatos, chama atenção não apenas a conduta de Pedro Neres, mas também o silêncio ensurdecedor de blogueiros e comunicadores ligados ao diretor. Os mesmos que costumam se manifestar com rapidez em defesa de aliados ou para atacar adversários políticos, agora optam pela omissão, ignorando agressões, violência e um ataque explícito aos direitos humanos. O silêncio, neste caso, soa como conivência.
Segundo informações divulgadas pelo blogueiro Ítalo Sousa, já está em fase de preparação uma representação formal contra Pedro Neres junto ao Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa LGBT, o que pode resultar em desdobramentos administrativos, cíveis e até criminais.
Até o momento, Pedro Neres não apresentou retratação pública, tampouco houve posicionamento oficial do Governo do Estado do Maranhão sobre a permanência de um diretor envolvido em violência, discurso de ódio e ataques à comunidade LGBTQIA+.
O episódio vai além de uma confusão carnavalesca. Ele expõe o uso do silêncio como estratégia política, a fragilidade no enfrentamento à homofobia e a urgência de uma resposta firme das instituições. Em casos como este, calar também é tomar partido.






