Caso de agressão contra doméstica grávida é investigado pela Polícia Civil no Maranhão

Uma empregada doméstica de 19 anos denunciou ter sido vítima de agressões físicas e psicológicas enquanto trabalhava na residência da empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. Grávida de seis meses, a jovem relatou à Polícia Civil que recebeu R$ 750 por pouco mais de duas semanas de serviço, período em que teria cumprido jornadas de quase 10 horas diárias e acumulado múltiplas funções.

O depoimento foi prestado nesta quarta-feira (6) na 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy, responsável pela investigação. Segundo a vítima, entre as atividades desempenhadas estavam limpeza da casa, preparo de refeições, lavagem e passagem de roupas, além dos cuidados com uma criança de seis anos. O pagamento, conforme relatado, foi feito de forma fracionada e por meio de transferências em nome de terceiros.

A jovem afirmou que o contato inicial com a empresária ocorreu por aplicativo de mensagens, no início de abril, quando foi convidada para trabalhar por um mês. No entanto, ao chegar à residência, disse que iniciou as atividades sem definição prévia de salário. A jornada, segundo ela, se estendia de segunda a sábado, das 9h às 19h, com apenas 30 minutos de intervalo.

Relato de agressões e ameaças

A doméstica detalhou episódios de violência que, segundo ela, ocorreram após ser acusada de furtar uma joia. Mesmo negando a acusação — e após o objeto ter sido encontrado dentro de um cesto de roupas sujas —, as agressões teriam continuado.

Começou com puxões de cabelo. Eu fui derrubada no chão e passei boa parte do tempo ali. Foram tapas, socos e murros… foi sem parar. Eles não se importavam”, disse a jovem.

Ela também relatou que tentou proteger a barriga durante os ataques. “Eu, graças a Deus, não levei nenhum chute, porque fiquei protegendo minha barriga o tempo todo, mas o restante do corpo ficou todo marcado”, afirmou.

Ainda conforme o depoimento, a vítima disse ter sido ameaçada de morte caso procurasse a polícia. Um homem, descrito como “alto”, “forte” e “moreno”, também teria participado das agressões.

Áudios e investigação

Áudios atribuídos à empresária, obtidos pela TV Mirante e anexados ao inquérito, reforçam os relatos. Em uma das mensagens, Carolina afirma que a vítima “não era pra ter saído viva”.

Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo”, afirmou Carolina Sthela.

Em outro trecho, ela menciona a presença de um homem armado no dia das agressões: “Eu acordei era 7h30. Aí eu (disse): ‘Samara, arruma logo essa cozinha’, que eu também não sou besta, ‘que eu vou receber um amigo meu aqui em casa’. Aí ele chegou e eu disse ‘entra, amigo’. Ele (o homem) já veio com uma jumenta de uma arma, chega brilhava.

O caso ocorreu no dia 17 de abril e segue sob investigação. Até o momento, Carolina Sthela não foi presa nem indiciada.

Atuação da OAB e histórico

A Comissão de Direitos Humanos da OAB do Maranhão solicitou a prisão preventiva da empresária, apontando indícios de tortura agravada, já que a vítima é gestante, além de lesão corporal, ameaça e calúnia. O relatório também menciona que a jovem teria sido ameaçada com uma arma de fogo, que chegou a ser colocada em sua boca.

Segundo a Polícia Civil, Carolina Sthela possui mais de dez processos. Entre eles, uma condenação por calúnia em 2024, quando acusou falsamente uma ex-babá de furto.

A ex-funcionária, Sandila Souza, também relatou prática semelhante: “Ela olhou pelas câmeras. Foi no mesmo momento que ela me viu saindo com as minhas malas e falou que ia na delegacia, que eu tinha roubado a pulseira do filho dela. Ela ia dizer que eu tinha roubado a pulseira do filho dela. Eu falei: ‘Eu não roubei a pulseira do seu filho, mas, se você quiser ir lá, pode ir, que tem câmera em todo lugar e as câmeras nunca ficam desligadas.’

Policiais afastados

Quatro policiais militares que atenderam à ocorrência foram afastados das funções após a divulgação dos áudios. Em uma das mensagens, a empresária afirma que não foi conduzida à delegacia por conhecer um dos agentes:

Parou uma viatura no meio da rua, eles vieram aqui de manhã. Mas veio um policial que me conhecia. Sorte minha, né? E sorte dela também. Aí eu expliquei para ele o que tinha acontecido. Aí ele disse: ‘Carol, se não fosse eu, eu teria que te conduzir para a delegacia, porque ela está cheia de hematomas’. Aí eu disse: ‘era para ter ficado era mais, não era para ter saído viva’”.

Defesa

Em nota, Carolina Sthela afirmou que colabora com as investigações e que apresentará sua versão no momento oportuno. Disse ainda que repudia qualquer forma de violência e pediu que não haja julgamento antecipado enquanto o caso é apurado.

Fonte: g1 Maranhão

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