
O ex-prefeito de Timbiras, Antônio Borba, anunciou nesta terça-feira (31) sua desincompatibilização do cargo de secretário municipal de Governo para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Maranhão.
A decisão ocorre em meio a um cenário de forte controvérsia política, já que o nome do ex-prefeito apareceu recentemente no centro de uma investigação conduzida pela Polícia Federal que apura um suposto esquema de fraude em licitações e desvio de cerca de R$ 7 milhões em recursos federais destinados às áreas de educação, saúde e assistência social no município.

No dia 24 de fevereiro de 2026, agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão contra suspeitos ligados ao caso. Entre os alvos estava justamente Antônio Borba, que além de ex-prefeito ocupava o cargo de secretário de Governo na gestão do atual prefeito Paulo Vinícius, seu sobrinho.
Durante a operação, os policiais encontraram R$ 122 mil em dinheiro vivo na residência do ex-prefeito, valor que acabou se tornando um dos principais símbolos da polêmica envolvendo o caso.
Após a repercussão da ação policial, Borba publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que o dinheiro possui origem lícita, alegando que os valores seriam fruto de seus salários como médico e também de atividades ligadas à sua produção rural.
A investigação é um desdobramento da Operação W.O., que já vinha monitorando o que os investigadores classificaram como um possível “monopólio” em contratos públicos no município.
Segundo a Polícia Federal, a empresa Pinheiro Serviços e Comércio, pertencente ao empresário Adriano Ricardo de Sousa Pinheiro, venceu todos os 167 itens de uma licitação realizada em 2023, resultado considerado altamente suspeito pelos investigadores e que pode indicar um acordo prévio entre agentes públicos e empresários.
Mesmo diante da investigação federal e da repercussão negativa do caso, Borba decidiu deixar o cargo no governo municipal para entrar de vez na disputa por uma cadeira no parlamento estadual.
A movimentação tem provocado críticas e questionamentos no meio político, já que o ex-prefeito tenta alçar voos maiores justamente quando seu nome ainda aparece vinculado a uma investigação que envolve milhões de reais em recursos públicos.
Nos bastidores, adversários políticos afirmam que a pré-candidatura surge como uma tentativa de manter influência e capital político, enquanto o caso segue sob apuração das autoridades federais.
Enquanto isso, para muitos moradores e observadores da política local, permanece a pergunta inevitável: como alguém citado em uma investigação desse porte se apresenta agora como candidato ao Legislativo estadual?






