
O médico Pedro Neres, filho do ex-prefeito Dr. Zé Francisco e diretor da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Codó, segue no centro de uma grave controvérsia que ultrapassa o campo político e alcança a esfera ética, administrativa e legal da saúde pública.
Pedro Neres foi flagrado em uma briga generalizada durante o Carnaval 2026 de Codó agredindo um folião, ao lado do próprio pai, em uma confusão que teria envolvido tentativa de agressão contra o vereador Hermínio da Farmácia e o deputado estadual Francisco Nagib. O episódio, amplamente divulgado nas redes sociais, ganhou contornos ainda mais graves após a revelação de uma possível irregularidade funcional.
De acordo com uma escala de plantão divulgada pelo portal Codó Notícias, o médico estava escalado para cumprir um plantão de 24 horas na UPA de Codó no dia 16 de fevereiro — a mesma data em que participou ativamente dos festejos carnavalescos. Caso confirmada a ausência, trata-se de abandono de plantão, uma infração considerada gravíssima no exercício da medicina, sobretudo em uma unidade de urgência e emergência.

O Código de Ética Médica é categórico. O artigo 9º proíbe expressamente “deixar de comparecer a plantão em horário preestabelecido ou abandoná-lo sem a presença de substituto, salvo por justo impedimento”. Já o artigo 1º reforça que a medicina deve ser exercida em benefício da saúde do ser humano e da coletividade, sem negligência ou imprudência.
As penalidades para esse tipo de conduta podem ir muito além de advertências. Conforme a legislação que rege os Conselhos de Medicina, o profissional pode sofrer advertência confidencial, censura confidencial ou pública, suspensão do exercício profissional por até 30 dias e, nos casos mais graves ou reincidentes, cassação definitiva do registro profissional, impedindo o médico de exercer a profissão.
O caso ganha ainda maior relevância por envolver um gestor de unidade estadual de saúde. A UPA de Codó é vinculada ao Governo do Maranhão, o que impõe responsabilidade direta à gestão estadual. Diante da gravidade dos fatos, é imprescindível que o governador Carlos Brandão esteja ciente da situação e adote medidas imediatas, seja por meio da Secretaria de Estado da Saúde, seja acionando os órgãos de controle e fiscalização.
O silêncio institucional diante de indícios tão sérios compromete a credibilidade da gestão pública e transmite à população a sensação de impunidade. Até o momento, não há registro de esclarecimento oficial por parte do médico, tampouco de providências anunciadas pelo Governo do Estado ou pelos conselhos profissionais competentes.






